terça-feira, 27 de julho de 2010

Azeitão


Para variar, sugeri escrever um texto sobre a zona onde moramos, porque também é sem dúvida uma das belezas de Portugal, contudo o jogo inverteu-se e acabei por prometer que este escrevia eu… e pronto pai, cá está.
Era uma vez uma menina de 8 anos que chorou muito quando os seus pais decidiram mudar de casa, deixar a cidade e mudar para o campo, numa luta perdida apenas afirmou que quando comprasse casa seria em Lisboa… E assim lá se mudou a família da capital para a localidade de Azeitão, a cerca de 15km da cidade de Setúbal e a cerca de 25km de Lisboa (inclui portagens, os pobres do deserto só se livram dela no mês em que vão de férias e não a usam). Bom, escusado será dizer que hoje só me tiram de cá por motivos de força maior como por exemplo ir para Góis. Morar no campo terá os seus contras, alguns que o pai nunca percebeu porque aqui nunca teve de andar de transportes públicos (escusado será dizer que se estes já não são óptimos na capital, no campo ainda menos), mas pronto tudo tem o seu preço…
Fonte dos Pasmados- Azeitão


Quinta das Torres - Azeitão

Então afinal o é que é que se paga? Uma vila simpática, com um ar antigo e um semblante histórico, quintas antigas e com importantes histórias, óptimos doces regionais como as famosas tortas de Azeitão acompanhadas por um bom de um moscatel (roxo de preferência) e em dias de festa Bastardinho de Azeitão, mas mais importante, paga-se pelo que eu mais gosto, morar a 10 minutos de uma das mais belas Baías do Mundo, apenas existe uma por país e em Portugal a honra coube à Serra da Arrábida. O azul do céu misturado com o azul do mar em contraste com o verde da serra…

Paisagem da Serra da Arrábida - Praias

Uma paisagem deslumbrante, umas praias fantásticas com uma temperatura amena protegidas pelas encostas da serra e uma água gelada (pronto nem tudo podia ser bom). Mas haja boa disposição que só custa o primeiro mergulho.
                                          Serra e praia do Portinho da Arrábida

Por muito que goste de Góis que é a verdade, tenho de admitir que para mim isto também é um privilégio, levantar cedo, conduzir (que é mais rápido) por estradas ladeadas de uma paisagem bonita, de vinhas e serra, estacionar e poder ir passear à beira-mar, sentir a maresia enquanto o dia ainda está a nascer, os pés molhados na areia limpinha… estender a toalha, deitar ao sol e pensar… “Isto é que é vida!”, e antes de almoço vir perguntar ao pai onde está o meu peixinho grelhado no carvão e almoçar na rua. Eu sei que apesar de pequeno Portugal tem muitos recantos bonitos e que muitas pessoas se devem considerar privilegiados como eu, mas este cantinho… “é meu”! Muito mais se poderia dizer sobre esta zona, no entanto, eu empresto o meu cantinho e dou a sugestão. Levantar cedinho, seguir até à Serra da Arrábida, escolher uma das praias (qualquer uma é recomendável) apreciar a beleza e o sol. Sair lá para as 12h que depois já queima, seguir para Setúbal, há sempre bons restaurantes com peixinho fresco (não posso oferecer o meu restaurante privado sem autorização prévia…), seguir em direcção a Azeitão, dar um passeio a pé pela Vila e provar as famosas tortas de Azeitão acompanhados com o belo do Moscatel e visitar uma das empresas de vinhos da região, qualquer uma dela faz visitas guiadas e valem a pena.
Fica aí a sugestão para um dia diferente, e eu… talvez fuja para Góis. Às vezes pareço a música do Marco Paulo “Eu tenho dois amores…”.
Pai, nós… vemo-nos no peixinho grelhado, com sorte eu levo as tortas e tu dás o moscatel (tens de comprar ou já aprendeste a fazer?)

A filha

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A FRUTA DA MINHA REGIÃO




Sendo que a minha região não é de uma grande tradição frutícola, pode sempre dizer-se que existem coisas de que nos podemos orgulhar. Para além de umas muito boas e apetitosas cerejas, podemos ainda falar de uns excelentes figos, pingo mel, capa rota, de umas não menos boas ameixas, e uns mais raros pêssegos. Aquele já extinto pessegueiro do Sr. João Lima, que ele tanto orgulho tinha, ali bem juntinho às casas da aldeia e que dava os melhores frutos da região, que ele até tinha trazido já enxertado da sua aldeia natal. Mas que por ironia do destino eles poucos pêssegos conseguiam colher daquela bendita arvore.
Vou começar por vos contar uma de tantas verdadeiras histórias sobre os frutos daquele velho pessegueiro, contada por um dos principais autores de tão ousada proeza.
Sendo que o proprietário do referido pessegueiro, não era uma pessoa muito querida da juventude aldeã, o que originava por vezes ser alvo das suas malandrices.
Como o pessegueiro apresentava os seus frutos maduros por altura do São João, era hábito estes frutos fazerem parte da decoração da mesa desta família neste dia.
Tendo em conta que este era o dia das festividades anuais da aldeia em honra do seu padroeiro, o São João.
Vésperas de festa começa a chegar comunidade familiar residente noutras aldeias, Durante o jantar dos familiares o anfitrião e dono do pessegueiro não se cansava de elogiar os grandes e lindos pêssegos que o seu pessegueiro tinha, eram sem dúvida os melhores da região, e que no dia seguinte iria mostrar aos seus convidados, logo pela manhã iriam todos até ao local para apreciarem a linda árvore e colher alguns frutos para a sobremesa do almoço. O que o orgulhoso anfitrião não contou é que alguém do lado de fora da porta ouviu toda a conversa. E logo pensou em pregar uma partida ao seu vizinho. Trata de juntar a sua pandilha e rumar até junto ao pessegueiro e fazer toda a colheita, onde nem um único fruto ficou para mostrar a sua excelente qualidade.
O lindo acontece pela manhã bem cedinho, quando o dito Sr. João lima se dirige com os seus familiares em grande alegria para irem fazer a apanha dos pêssegos, e mesmo antes de chegar junto da arvore já começava a vociferar, malandros, vieram roubar-me os pêssegos todos, acreditem! Estava mesmo carregado, foi a pandilha, foi a pandilha, Sr. primo, clamava um dos convidados. Do outro lado outros se iam rindo do desespero daquele pobre homem, que mais uma vez foi tramado e não parava de jurar vingança.
Era assim a vida na aldeia destes pequenos mas já grandes malandros.


Texto publicado no âmbito da blogagem colectiva, aldeia da minha vida. Visite , participe , com texto ou apenas comentando. desfrute de uma simples, mas instrutiva leitura.
Acácio Moreira