sexta-feira, 6 de março de 2009

LEMBRANÇAS DA MINHA INFANCIA

A história do raposo
Quando um dia caminhava pela vereda que subia do Lambusqueiro pelo barroco da costa, não sei qual o motivo que me terá levado a estas paragens, mas o que me recordo muito bem foi do que vi , um raposo ainda bebé que uivava a entrada da toca, provavelmente reclamando a presença da mãe raposa, para se poder saciar com o leite materno. E obviamente que logo me passou pela cabeça apanhar aquele raposinho... não tardou nada para que estivesse a fazer o convite ao meu grande amigo e companheiro de aventura o "Manuel da Lucinda" para ajudar na tarefa, pois isto era tarefa para a dupla, porque se um dizia esfola o outro dizia mata. A decisão foi rápida, enxada ao ombro e ai vão eles, toca a derrubar a parede da calçada do "João Maria" o que nos custou alguns dissabores, mas derrubada a parede da calçada e mais alguns metros em frente começou a toca da raposa a dar a volta em direcção paralela a porta de entrada, mas como a missão era capturar o bichinho vai de cavar, o ânimo não faltava e ao fim de algumas investidas diárias, que duraram cerca de três dias lá conseguimos chegar ao ninho e apanhar o ansiado raposinho. Foi com grande alegria que chegamos à aldeia a apresentar o nosso troféu à população.
Agora surgia o problema de como albergar o animal, tarefa que se tornava difícil, pois não era fácil arranjar casa segura para tão astuto morador. Claro que ao fim de uns minutos a ideia surgiu, vai ficar dentro de uma caixa de madeira que eu tinha guardada numa casa onde dormiam alguns operários que trabalhavam para o meu pai na construção. E assim foi, todos os dias bem cedo eu deslocava-me a esse local para dar de comer ao raposinho. Qual não foi a minha desilusão quando um dia ao chegar junto da caixa que servia de casa ao animal, verifiquei que este estava morto, logo me apressei a dar a triste noticia aos restantes residentes (os operários do meu pai) que logo se apressaram a dizer que se calhar eu tinha dado comida a mais e o bichinho morreu de congestão.
Mas a conclusão vim mais tarde a saber, o meu bichinho de estimação fazia muito barulho de noite não deixando dormir os restantes residentes e o sr Manuel da Cabreira um bom artista na arte de pedreiro resolveu apertar o pescoço do meu lindo raposinho. Terminando assim a saga do raposo, mas não na memória de meu pai que não se cansava de evocar a saga do raposo em especial quando a dupla Acácio e Manuel da Lucinda estavam presentes.